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(via desciclopedia)
Fiquei fascinado com o logo personalizado de hoje do Google, e deduzindo que talvez se tratasse de uma dançarina/bailarina/coreógrafa pelos seus movimentos, resolvi pesquisar sobre Martha Graham, e descubro que ela foi simplesmente uma das grandes precursoras da dança moderna.
Se concebermos cultura como um conjunto de conceitos, crenças, práticas e atividades, num contexto sócio-histórico, adquiridos e perpassados de geração em geração, então todos ou quase nenhum animal é um ser cultural de fato. As práticas do comportamento animal estão geralmente condicionadas ao seu código genético, apensas ao campo da natureza e não da cultura, e prova disso é que, de diversas experiências e observações realizadas com toda uma variedade de espécies animais, verificou-se que aquelas não se modificam ou evoluem de geração para geração (o padrão da dança das abelhas para encontrar comida, por exemplo, sempre foi o mesmo, assim como a linguagem animal de modo geral). Talvez os únicos animais que ensinam o que aprendem aos membros de sua comunidade sejam alguns primatas superiores, a exemplo do chimpanzé, o que significa, ao se tratar destes animais de inteligência maleável e superior - lembrando que uma coisa é a inteligência animal, outra é sua possibilidade de codificação/decodificação, transmissão e manipulação de conhecimentos, o que implicaria na existência da cultura entre os mesmos -, mais próxima à nossa, que para estes a concepção de cultura deve ser repensada.
E dança é cultura, arte, manifestação portanto artístico-cultural de um povo e/ou de uma comunidade que envolve muitas de suas crenças, tradições, aspirações coletivas, concepções estéticas, enunciando uma cosmovisão (perceba a diferença entre o significado de uma mesma dança para determinados povos tribais, de cunho místico-religioso e com a intenção de se angariar proteção ou dádivas dos deuses, e para o nosso atual contexto sócio-histórico-cultural, como uma expressão artística exótica, ou a forma como moral(ismo) e dança sempre se entrelaçaram no Ocidente); o mesmo se aplicando ao plano individual: a dança de um indivíduo em particular (d)enuncia muito de seus trejeitos, sentimentos, personalidade e desejos, mais que sua maleabilidade/elasticidade corporal. Toda arte é expressão e expressividade, e uma busca tanto por uma melhor compreensão do mundo quanto de si mesmo, e em contraponto a enunciação do resultado (parcial) dessa busca, em constante maturação/transformação, afinal somos seres inacabados e que nunca, no plano terreno, desvendarão o Infinito, as Verdades Absolutas.
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